Em um ambiente de margens cada vez mais pressionadas, alta complexidade tributária e elevada exposição fiscal, erros no recolhimento de tributos se tornaram quase inevitáveis para as empresas brasileiras. O que muitas organizações ainda não percebem é que existe um potencial financeiro relevante imobilizado em impostos pagos indevidamente ou a maior — valores que permanecem parados não por falta de amparo legal, mas por falhas técnicas na apuração.
A recuperação tributária deixa de ser uma ação pontual e passa a ser uma estratégia de gestão financeira e fiscal.
Desperdício Tributário: Um Problema Recorrente, Mas Evitável
Grande parte das empresas convive com pagamentos indevidos por anos sem perceber. Isso ocorre, em geral, por:
Classificações fiscais inadequadas
Parametrizações incorretas nos sistemas
Interpretações conservadoras ou desatualizadas da legislação
Falta de revisão técnica periódica das apurações
O resultado é simples: caixa comprometido por tributos que não deveriam ter sido pagos.
Onde Estão os Principais Erros Tributários
Os maiores riscos não estão, necessariamente, nos números globais, mas nos detalhes operacionais. Entre os pontos mais recorrentes estão:
NCMs incorretos
Substituição Tributária (ST) aplicada com IVA/MVA acima do devido
Créditos de PIS e Cofins não apropriados
ICMS recolhido em duplicidade
Incidências indevidas em operações específicas
Cada um desses erros representa dinheiro que pode retornar ao caixa, desde que identificado e corrigido tecnicamente.
Substituição Tributária: O Erro Começa no Custo
Um dos equívocos mais comuns está na aceitação automática da ST como custo definitivo. É fundamental questionar, linha por linha, se o custo atual reflete corretamente a realidade da operação.
Quando o IVA/MVA aplicado não corresponde à margem efetiva, o repasse está distorcido. A correção não começa na venda, mas na formação do custo — ponto-chave para recuperar margem e evitar novos prejuízos.
Créditos Não Aproveitados: Dinheiro Parado no Lucro Real
Empresas no Lucro Real frequentemente deixam de aproveitar créditos relevantes, tratando como despesa itens que poderiam gerar recuperação tributária, como:
Energia elétrica
Fretes
Serviços vinculados à atividade-fim
A ausência de revisão técnica transforma oportunidades legítimas em custos definitivos, reduzindo artificialmente o resultado da operação.
Recuperar o Passado para Corrigir o Futuro
A recuperação tributária não se limita à restituição ou compensação de valores pagos a mais. Ela cumpre um papel ainda mais estratégico: evidencia falhas estruturais nos processos fiscais e nos sistemas da empresa.
Ao revisar apurações passadas, a empresa identifica:
Problemas de classificação fiscal
Erros de parametrização no ERP
Fragilidades no controle de dados
Pontos críticos que, se mantidos, continuarão gerando perdas
A Mudança de Mentalidade: Gestão Tributária Estratégica
A pergunta correta não é se existem créditos, mas onde estão os créditos não aproveitados. Empresas maduras fiscalmente não tratam tributos apenas como obrigação, mas como variável estratégica de margem, preço e competitividade.
Muitas vezes, a diferença entre uma operação pressionada e uma operação saudável não está no mercado, mas nos impostos pagos sem questionamento técnico.
Recuperação Tributária é Decisão de Gestão
Revisar tributos pagos a mais é uma forma direta de reforçar o caixa sem depender de aumento de vendas ou corte de custos operacionais. Mais do que corrigir o passado, trata-se de estruturar uma gestão fiscal eficiente para o futuro.
Se sua empresa ainda não realizou uma revisão tributária profunda, é provável que existam valores relevantes parados que poderiam estar financiando crescimento, investimento ou equilíbrio financeiro.
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Fonte: Portal Contábeis
