Lucro presumido: a reforma tributária vai mesmo aumentar o imposto da sua empresa?

A discussão sobre a reforma tributária ganhou força entre empresas no lucro presumido, especialmente porque a substituição de tributos atuais por IBS e CBS pode alterar a conta final de forma relevante. Embora a mudança traga a lógica de não cumulatividade e permita o aproveitamento de créditos, o impacto não será igual para todos os negócios.

Na prática, a dúvida central é simples: a empresa vai pagar mais ou menos imposto depois da transição? A resposta depende da estrutura de custos, do volume de compras tributadas e do modelo de operação. Em alguns casos, a nova sistemática pode ampliar a carga. Em outros, pode até reduzir o valor efetivamente recolhido.

O que aconteceu?

O tema passou a preocupar empresas que hoje recolhem PIS e Cofins pela alíquota conjunta de 3,65%. Com a reforma, entram em cena IBS e CBS, com alíquotas maiores, mas também com a possibilidade de descontar créditos sobre compras e despesas que gerem esse direito.

De acordo com a análise apresentada, não existe uma resposta única para o lucro presumido. O efeito da reforma varia conforme três fatores principais: quanto a empresa compra de itens que geram crédito, quanto pesa a folha de salários e para quem ela vende.

Negócios com mais compras tributadas tendem a acumular mais créditos e, por isso, podem compensar parte relevante do imposto devido sobre as vendas. Já empresas intensivas em mão de obra, como consultorias e prestadoras de serviços, costumam ter menos despesas aptas a gerar crédito e podem sentir mais o aumento da carga.

Outro ponto importante é o perfil dos clientes. Quando a empresa vende para outras companhias enquadradas no regime regular, o crédito gerado ao comprador pode fortalecer a competitividade do fornecedor. Em vendas ao consumidor final, esse efeito não pesa da mesma forma na decisão de compra.

A notícia também destaca situações com alíquotas reduzidas. Entre elas estão algumas profissões regulamentadas, como advogados, contadores, engenheiros e arquitetos, desde que atendam às exigências legais. Há ainda redução para determinados serviços de saúde e educação, conforme a atividade efetivamente prestada.

Por que isso importa para empresas?

Para o empresário, o principal risco está em tomar decisões com base apenas na alíquota nominal. O que importa, de fato, é a carga líquida após o aproveitamento dos créditos. Isso significa que dois negócios com o mesmo faturamento podem ter impactos totalmente diferentes.

  • Comércio e indústria: tendem a ter mais compras tributadas e, portanto, mais potencial de crédito.
  • Serviços intensivos em mão de obra: podem ter menor geração de crédito e sentir maior pressão tributária.
  • Empresas que vendem para outras empresas: podem ganhar competitividade pela possibilidade de gerar crédito integral ao cliente.
  • Negócios com atividades mistas: precisam separar com cuidado o que gera benefício e o que não gera.

O exemplo trazido no texto mostra bem essa diferença. Uma consultoria com faturamento mensal de R$ 100 mil e apenas R$ 20 mil em compras com direito a crédito pode terminar pagando mais do que paga hoje em PIS e Cofins. Já uma empresa com volume maior de compras tributadas pode reduzir o valor líquido recolhido.

Ou seja, o impacto da reforma não deve ser tratado como uma regra geral. Ele depende de simulação, leitura do modelo de negócio e revisão da estrutura de custos.

Como se preparar?

O primeiro passo é mapear os números da empresa com antecedência. Para estimar o efeito da nova tributação, o gestor precisa conhecer o faturamento, o total de compras que geram crédito e o quanto já recolhe atualmente em PIS e Cofins. Sem esse diagnóstico, qualquer conclusão será superficial.

Também é importante separar atividades, revisar contratos e identificar despesas que podem ou não compor a base de créditos. Empresas com operações mais complexas precisam olhar para cada linha de receita e custo, evitando misturar tratamentos tributários diferentes.

Outro cuidado é acompanhar a evolução das regras e das alíquotas definitivas, já que o desenho da transição ainda influencia o planejamento. Quanto antes a empresa simular cenários, maiores as chances de ajustar preços, margens e estrutura operacional com segurança.

Para quem atua no lucro presumido, a reforma tributária exige análise técnica e visão estratégica. O melhor caminho é sair da dúvida genérica e partir para um estudo específico do negócio. Se a sua empresa quer entender como IBS e CBS podem afetar a carga tributária, a BWA Global pode apoiar essa leitura com uma análise orientada ao seu cenário real.