Simples Híbrido ganha força e exige atenção das empresas na reta final do prazo

A Receita Federal registrou uma forte aceleração nas solicitações relacionadas ao chamado Simples Híbrido, modelo em que a empresa pode permanecer no Simples Nacional para parte dos tributos e, ao mesmo tempo, recolher o IBS e a CBS pelo regime regular. O aumento dos pedidos mostra que muitas empresas estão deixando a decisão para a reta final do prazo e, por isso, precisam avaliar com atenção os efeitos dessa escolha.

O que aconteceu?

De acordo com o balanço divulgado pela Receita Federal, foram registradas 447.716 solicitações de opção pelo regime regular do IBS e da CBS entre empresas relacionadas ao Simples Nacional até a última sexta-feira, dia 25. Esse número representa um crescimento expressivo em relação ao levantamento anterior, que apontava 165.034 solicitações.

O prazo para definição da forma de recolhimento desses dois novos tributos termina nesta quarta-feira, dia 30. A decisão vale para o primeiro semestre de 2027 e faz parte da transição para o novo sistema de tributação sobre o consumo.

Importante destacar que a Receita trata esses números como solicitações recebidas, e não como quantidade final de empresas que efetivamente permanecerão no modelo. Isso significa que o cenário ainda pode mudar até o encerramento do prazo.

No mesmo balanço, a Receita informou que 328.432 pedidos de opção pelo Simples Nacional haviam sido registrados até 25 de setembro. Desse total, parte já estava deferida e parte indeferida, sendo que os casos indeferidos ainda podem ser regularizados dentro do prazo legal de 30 dias para pendências impeditivas.

Por que isso importa para empresas?

A escolha pelo regime regular do IBS e da CBS não significa sair do Simples Nacional. No modelo híbrido, a empresa continua enquadrada no regime simplificado para os demais tributos, mas passa a tratar esses dois novos impostos separadamente do DAS.

Na prática, essa decisão pode afetar diretamente a estrutura financeira do negócio. Entre os pontos que merecem análise estão:

  • o perfil dos clientes, especialmente para empresas que vendem para outras empresas;
  • a relação com fornecedores e despesas que possam gerar créditos;
  • a posição da empresa na cadeia produtiva;
  • a formação dos preços;
  • o impacto dos créditos tributários nas operações.

Esse cuidado é importante porque a opção pode trazer vantagens para alguns negócios e ser menos adequada para outros. Por isso, a avaliação precisa ser feita de acordo com a realidade operacional e tributária de cada empresa.

Outro ponto relevante é que as empresas que já são optantes pelo Simples Nacional não precisam pedir nova adesão ao regime para continuar nele. O foco, neste momento, está na definição da forma de recolhimento do IBS e da CBS.

Como se preparar?

A melhor forma de tomar essa decisão é analisar o impacto prático antes do fim do prazo. Empresas com atuação mais voltada ao mercado B2B, por exemplo, podem ter dinâmica diferente na utilização de créditos em relação a negócios que atendem o consumidor final. Além disso, a estrutura de custos e o tipo de operação podem alterar o resultado da escolha.

A Receita informou ainda que quem optar pelo regime regular poderá desistir da decisão até 30 de novembro de 2026. Também foi mencionado que pode haver revisão da escolha caso a definição da alíquota da CBS pelo Senado ocorra depois desse período.

Na prática, isso reforça a necessidade de acompanhamento constante da transição tributária. O cenário ainda está em evolução, e decisões tomadas agora podem produzir efeitos somente em 2027.

Para empresas, gestores e contadores, o mais prudente é tratar essa decisão como parte do planejamento tributário, e não como uma mera formalidade. Avaliar com antecedência o reflexo sobre caixa, precificação e créditos pode evitar escolhas pouco eficientes no futuro.

Nesse contexto, contar com uma análise especializada ajuda a traduzir as regras da transição em impactos concretos para o negócio. A BWA Global acompanha mudanças tributárias com foco em segurança, clareza e estratégia para apoiar decisões mais assertivas.