Reforma Tributária em Ajuste

Em 7 de outubro de 2026, foi lançado em Brasília o movimento Reforma Tributária em Ajuste. A proposta é reunir o setor produtivo para discutir, de forma organizada, os ajustes que a reforma ainda precisa para funcionar na prática.

O lançamento ocorreu durante o seminário “Reforma Tributária em Ajuste: Impactos e Adaptação do Ambiente de Negócios”. O evento foi promovido pela Frente Parlamentar Mista do Ambiente de Negócios e pelo Instituto Unidos Brasil, com apoio da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

A lei está aprovada, mas a implementação só começou

A base da reforma do consumo está na Emenda Constitucional nº 132/2023. A regulamentação veio com as Leis Complementares nº 214/2025 e nº 227/2026.

O movimento parte da ideia de que publicar as normas não encerra o trabalho. A etapa mais difícil é fazer esse desenho complexo funcionar nos sistemas, nos documentos fiscais e na rotina das empresas.

Para os organizadores, apontar ajustes necessários não é se opor à reforma. É uma forma de proteger os objetivos que justificaram sua aprovação, como simplificação, segurança jurídica e transparência.

O que muda na prática para as empresas

A reforma não afeta apenas o cálculo dos tributos. Ela mexe com preços, fluxo de caixa, competitividade de fornecedores, logística, investimentos e geração de empregos.

Muitos problemas só aparecem quando a norma chega à operação. Entre os mais citados estão:

  • Creditamento: dificuldades para aproveitar créditos de IBS e CBS na cadeia.
  • Capital de giro: efeitos sobre o caixa enquanto os créditos não são compensados.
  • Tecnologia: adaptação de sistemas e documentos fiscais às novas regras.
  • Obrigações acessórias: novas declarações e controles.
  • Contratos e rotinas internas: revisão de contratos de longo prazo, negociações e procedimentos que vão além da área fiscal.

No seminário de lançamento, especialistas reforçaram que a adaptação precisa envolver a empresa inteira, e não só o departamento fiscal.

Quem está por trás do movimento

O movimento é uma iniciativa do Instituto Unidos Brasil, em parceria com a Frente Parlamentar do Ambiente de Negócios. A coordenação é da advogada tributarista Ana Carolina Brasil Vasques, presidente da Associação Mulheres no Tributário.

A proposta é criar um espaço estruturado de diálogo entre contribuintes, setor produtivo, Parlamento e poder público. Os problemas concretos levantados pelas empresas seriam transformados em propostas técnicas de mudança em leis e regulamentos.

A próxima etapa, segundo os organizadores, será discutir os impactos específicos em cada setor da economia. Indústria, comércio, serviços, agronegócio, saúde, tecnologia e mercado imobiliário têm realidades diferentes, mas compartilham demandas como segurança jurídica e transparência.

Conclusão

A reforma tributária saiu do papel e entrou na operação das empresas. Nessa fase, os problemas deixam de ser teóricos e passam a aparecer no caixa, nos sistemas e nos contratos.

O movimento Reforma Tributária em Ajuste aposta que o setor produtivo, atuando de forma unida e técnica, pode ajudar a corrigir essas falhas. A ideia é tratar a implementação como um processo de diálogo entre governo, Parlamento, academia e sociedade, e não como mera adaptação burocrática.

Para a sua empresa, a lição é não esperar os ajustes chegarem. Mapear desde já os impactos em preço, crédito e caixa é o que permite se adaptar com segurança.